CORDELIZANDO

14/06/2016

 

A ARTE DE CORDELIZAR

A programação conta com músicas, recitais, bate-papos poéticos e xilogravuras

 

Entre os dias 17 e 19 de junho, a CAIXA Cultural Salvador, localizada na Rua Carlos Gomes, 37, Centro, vai se transformar num rico espaço de cordel. O público que admira a arte de cordelizar e xilogravar pode reservar esses dias na agenda para curtir uma programação criativa e popular, marcando presença em um dos gêneros literários mais importantes do Brasil.

O projeto “Cordelizando”, realizado pela Icontent e Rede Bahia, tem a proposta de aproximar a literatura de cordel ao público, contextualizando à literatura de cordel ao mundo digital, através de projeção de ilustrações de xilogravuras e oferecer músicas, recitais e bate-papos poéticos com os artistas mais renomados do Nordeste como J.Borges, Bule Bule, Maviael Melo e Zimaldo Melo. Todas as apresentações acontecerão no Salão Nobre da CAIXA Cultural.

Um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo, J.Borges é a grande atração do projeto. Com 08 décadas de vida, período em que ganhou diversos prêmios e levou sua arte para mais de 10 países, J.Borges é um dos maiores mestres do cordel. Ele vai contar histórias de seus folhetos de cordel e bater papo com o público.

Além de cordelizar, os curiosos em saber como faz uma xilogravura poderão acompanhar, em tempo real, através das mãos de Zimaldo Melo, como essa arte é desenvolvida. O artista visual Zimaldo Melo, levará ao projeto sua visão multifacetada, que agrega meios convencionais, como desenho, pintura, relevo e a xilogravura, além de novos meios como a programação, a eletrônica, interatividade, web e arte.

Bule Bule também é uma das atrações mais esperadas do projeto Cordelizando. Sua participação será marcada através de suas cantorias de viola, com canções improvisadas (repentes) ao som de violas sertanejas realizadas pelo artista e seu parceiro.

Maviael Melo será o mediador de toda programação do evento, interagindo com as três atrações através de conceitos, referências, recitais e músicas.

Durante toda a programação do projeto, serão comercializados folhetos de cordel e figuras dos quatro autores na Sala dos Jesuítas, ao lado do Salão Nobre, no segundo andar da Caixa Cultural.

 

PERFIS DOS ARTISTAS

Para esta primeira edição, o evento escolheu homenagear os dois mais conhecidos e respeitados cordelistas e declamadores do País, J. Borges e Bule Bule, além de dois grandes artistas especialistas em artes visuais e no gênero musical.

  1. BORGES

José Francisco Borges, mais conhecido como J. Borges é um dos mestres do cordel, um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina e o xilogravurista brasileiro mais reconhecido no mundo. Ele nasceu em 20 de dezembro de 1935 em Bezerros, Pernambuco. Filho de agricultores, ele começou a trabalhar aos dez anos de idade na roça, e negociava nas feiras da região, vendendo colheres de pau que ele mesmo fabricava. Autodidata, o gosto pela poesia fez encontrar nos folhetos de cordel um substituto para os livros escolares. Em 1964 começou a escrever folhetos de cordel; foi quando fez “O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina”, xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.

BULE BULE

A descrição de Antônio Ribeiro da Conceição, o Bule-Bule, é a do próprio artista. Poeta, cantor, repentista e cordelista, Bule-Bule acumula uma trajetória de quase 50 anos de carreira. Prestes a completar 70 anos de vida, o artista lançou recentemente, na Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica), mais um de seus trabalhos: ‘O amor de Pedro e Rosinha ou o Valente Asa Branca enfrentando o Rei do Milho’.

Natural do município de Antônio Cardozo, Bule-Bule conta que começou primeiro como músico, quando já cantava na igreja de São Felix, onde viveu dos quatro aos 12 anos. “Cantar eu canto desde criança. Agora escrever eu escrevi desde cedo, mas não publicava. Eu fui publicar o meu primeiro cordel em 1977. ‘A tragédia de três amantes'”, relembra o cordelista.

ZIMALDO MELO

Artista visual e design gráfico formado pela primeira turma de bacharelado de artes visuais da Universidade Federal do recôncavo da Bahia – UFRB. Trabalhou em diversas agências de publicidade de Salvador, como ilustrador, e teve projetos artísticos habilitados em editais como o Banco do Nordeste e o setorial de artes visuais da Secult/BA. Atualmente é o xilógrafo Hansen Bahia, localizada em Cachoeira.

MAVIAEL MELO

Maviael Melo é poeta, cantador e cordelista, já se apresentou em diversas cidades de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados do Brasil. Suas apresentações, sempre recheadas de poesias e cordéis, além de belas músicas, já lhe renderam diversas premiações e participações em Festivais de diversos estados. Maviael é um matuto letrado, pedagogo em formação e viaja o Brasil a fora apresentando a sua arte, aprendendo e ensinando em projetos que realiza com Educação e Cordel (Edu… Cordel!) com alunos e professores. Seu último livro, Ciclos, traz ilustrações e xilogravuras de vários artistas, entre eles o mestre J. Borges. Atualmente trabalha na edição de dois livros e um CD a serem lançados no segundo semestre desse ano.

SAIBA MAIS SOBRE O CORDEL

O nome ‘cordel’ vem da origem tradicional de como os folhetos impressos de rimas e relatos ficavam expostos para venda aos clientes e leitores, pendurados ora por cordas, ora por barbantes ou cordéis. Nas feiras de rua, seus autores cantavam e declamavam suas obras, transformando de forma mágica e ligeira pensamentos em versos. Cadenciado, fantástico e cheio de graça, o cordel marca presença nas brincadeiras com os bonecos, na dança, no teatro, no cinema, nas rodas de bate-papo e em cada canto que se pode reparar.

 

SERVIÇO:

O quê: Projeto Cordelizando

Local: CAIXA Cultural Salvador, Rua Carlos Gomes, 37, Centro

Quando: 17 a 19 de junho

Horário: 10 as 18h

Informações: (71) 34214200

Aberto ao público